Estive pensando numas coisas, dessas que a gnte pensa antes de dormir e que às vezes podem ser bem interessantes:
Eu te amei. Você me amou. Só nós dois sabemos o gosto e a intensidade daqueles dias tão especiais, quando nossos corpos viviam entrelaçados e quentes como o sol da Bahia. Porém, me parece muito estranho que só porque eles (nossos corpos, apenas) estão longe eu tenha que te esquecer, bloquear mes pensamentos em você. Como se a ausência dos corpos não nos permitisse continuar trocando energias.
E não, não se trata de viver no passado. Não se isso é tão presente em mim! Talvez pareça loucura, prisão essa falsa impressão de que eu "parei no tempo" assim. Mas ao contrário, o que eu quero é a liberdade de poder te amar e continuar vivendo. Somos livres e se você concordar conigo, tudo será muito mais fácil. Se concordar que posso te amar, que podemos trocar carinhos, palavras, música e poesia e que, ao mesmo tempo, isso não nos empede de nos encontrarmos com outras pessoas. De nos deitar e nos deleitar com outros e outras.
Quero que você ame, que seja livre para amar, assim como fomos. Porque éramos só vontade e nunca necessidade, norma. Aliás, te amei e você me amou só porque não éramos necessários um ao outro, porque não carregávamos nenhuma obrigação de amar.
Como eu quero que você me entenda e consiga ouvir essas palavras. E que elas te façam sentido e que você não tenha de mim uma percepção negativa, que não me infantilize nem queria diagnosticar-me porque fujo à norma. Como tantos o fariam! Infantilizariam e diagnosticariam-me como louca apenas, sem perceber a possibilidade das coisas que falo, simplesmente por medo, covardia e vontade de controle. Sede de poder.
Desconstruamos esses mitos então:
O amor não precisa ser entre duas pessoas, não precisa nem mesmo ser recíproco e talvez ele seja assim na maior parte do tempo. É necessário um tempo de reciprocidade, de encontro mútuo sim, mas o amor está fadado a ser assim apenas por um pequeno - mesmo que intenso - momento.
Podar o amor nunca é necessário para quem sabe da troca de respeitos e vontades individuais, libertárias e libertinas que é o amor.
"Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários."
(Roberto Freire)