segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Amantes e livres

Estive pensando numas coisas, dessas que a gnte pensa antes de dormir e que às vezes podem ser bem interessantes:

Eu te amei. Você me amou. Só nós dois sabemos o gosto e a intensidade daqueles dias tão especiais, quando nossos corpos viviam entrelaçados e quentes como o sol da Bahia. Porém, me parece muito estranho que só porque eles (nossos corpos, apenas) estão longe eu tenha que te esquecer, bloquear mes pensamentos em você. Como se a ausência dos corpos não nos permitisse continuar trocando energias.
E não, não se trata de viver no passado. Não se isso é tão presente em mim! Talvez pareça loucura, prisão essa falsa impressão de que eu "parei no tempo" assim. Mas ao contrário, o que eu quero é a liberdade de poder te amar e continuar vivendo. Somos livres e se você concordar conigo, tudo será muito mais fácil. Se concordar que posso te amar, que podemos trocar carinhos, palavras, música e poesia e que, ao mesmo tempo, isso não nos empede de nos encontrarmos com outras pessoas. De nos deitar e nos deleitar com outros e outras.
Quero que você ame, que seja livre para amar, assim como fomos. Porque éramos só vontade e nunca necessidade, norma. Aliás, te amei e você me amou só porque não éramos necessários um ao outro, porque não carregávamos nenhuma obrigação de amar.

Como eu quero que você me entenda e consiga ouvir essas palavras. E que elas te façam sentido e que você não tenha de mim uma percepção negativa, que não me infantilize nem queria diagnosticar-me porque fujo à norma. Como tantos o fariam! Infantilizariam e diagnosticariam-me como louca apenas, sem perceber a possibilidade das coisas que falo, simplesmente por medo, covardia e vontade de controle. Sede de poder.

Desconstruamos esses mitos então:

O amor não precisa ser entre duas pessoas, não precisa nem mesmo ser recíproco e talvez ele seja assim na maior parte do tempo. É necessário um tempo de reciprocidade, de encontro mútuo sim, mas o amor está fadado a ser assim apenas por um pequeno - mesmo que intenso - momento.
Podar o amor nunca é necessário para quem sabe da troca de respeitos e vontades individuais, libertárias e libertinas que é o amor.

"Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários."
(Roberto Freire)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

No morro da Casa Verde tem uma roseira


"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
..."

http://www.youtube.com/watch?v=HRFw5u5wR4c&feature=related

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Blasé

Não. Definitivamente, não tô mandando currículo na busca de um novo amor. Cansei. Isso mesmo. O mundo pode acabar hoje que eu não ligo. Cansei das dores de estômago, das crises de inquietação, do excesso de adrenalina que não leva a nada. Ou melhor, que só leva ao nada.
É verão, vejo todo mundo se apaixonando, se perdendo em amores, delírios e eu assistindo de camarote, esse desfile carnavalesco e super colorido, da janela de um sobrado de cores pálidas e dando um sorriso de indiferença para o mundo. Hoje não há nada que me faça mover. Se o mundo acabasse, só ia me preocupar em entrar numa canoa, (e não um barco maior, que é pra caber só aquelas pessoas que eu escolhi a dedo e não troco por nenhuma outra) e velejar por aí, até chegar numa ilha qualquer, ou de repente ir morar na Lua com eles.

"Eu fecho com chave de ouro essa casa
Com chave de ouro essa sala
Com chave de ouro essa porta

Quando quiser eu volto

Não adianta me pedir que hoje eu não volto
Não adianta me pedir que hoje eu não abro
Não adianta me pedir que hoje eu não choro."

http://www.youtube.com/watch?v=_TmuFDE4ltk


E quem é que não precisa fugir de vez em quando? Espantar os vícios, as energias pesadas, o excesso. Vou-me. Tomar o exemplo do mestre Cartola ou do Lenine, e vou pra rua, sozinha, tentar me encontrar.

Au revoir!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

pensée avant de dormir


Quando o corpo quer ir além, quer superar o eterno retorno, quer transcender e evoluir a atual condição que se apresenta em vida.

A paz se apresenta em poucos segundos, como uma sedutora mulher perseguida por todos. É condição essencial de sua existência para que eles voltem a querê-la. Modernidade, you're heartless bitch.

Preguiça, tédio, excesso de sobriedade, desejos contidos, falta de vida.

O silêncio pede pra existir, como uma criança insistente puxando a manga da blusa da professora, que anseia pela liberdade social de falar. Há algo mais irritante que isso? (Começo a achar que minhas palavras insistem em encontrar-se quanto mais opostos forem. Será que isso diz alguma coisa? Sobre mim, certamente.)
Só a repetição é mais irritante do que essa metáfora. Repetição, aliás, que faz parte dela. Estamos presos. Há que se buscar um refúgio. Será? Talvez todo o erro tático seja buscar refúgios! Não. Não há que se buscar refúgos, mas subverter a ordem. (Invertendo-a?). Je ne se pas. Continuo não sabendo sobre subverter a ordem, não pode esquecer-se que é doloroso, já que tem influência outros.

Talvez eu durma agora. E dormindo, quem sabe não encontro alguma resposta nos sonhos. Quem sabe.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

E foi dada a largada...

Eu costumo sempre fazer um post de apresentação nos meus blogs. Nenhum deles durou muito tempo, este pretendo que dure um pouco mais, até porque, mesmo que eu tenha um formato em mente - que tem muito a ver com o título do blog - quero deixá-lo livre e ver que caminhos ele escolherá percorrer.

A intenção a priori é gritar. Deixar de silenciar a violência de todo dia, que chega até mim pelas mais diferentes maneiras. Assim eu evito falar pra ouvidos desinteressados e, ao mesmo tempo, tempo fazer da minha voz, das minhas palavras, uma corrente.


http://www.youtube.com/watch?v=wV4vAtPn5-Q